Por Redação Faca na Caveira
Afeganistão / Brasil – 20 de fevereiro de 2026
O Afeganistão acaba de dar mais um passo rumo à barbárie oficializada em papel timbrado de Estado. Enquanto a grande mídia finge surpresa e trata o Talibã como se fosse apenas “mais um governo conservador religioso”, o novo código penal imposto pelo regime deixa claro o que eles realmente pensam sobre mulheres e crianças: seres de segunda categoria, submetidos à vontade do homem, quase como propriedade doméstica.
Esse novo conjunto de leis, assinado pelo líder supremo talibã Hibatullah Akhundzada, cria um verdadeiro sistema de castas legais dentro do país, diferenciando o valor de homens, mulheres e crianças e reduzindo a violência doméstica a um “exagero disciplinar” que mal merece punição. Em outras palavras, o Estado talibã está dizendo ao mundo que o marido tem o direito de bater para “corrigir” a esposa, desde que não quebre os ossos dela de forma muito visível.
Para quem acompanha de longe, isso pode soar como exagero ou caricatura. Infelizmente, não é. O talibã colocou por escrito aquilo que muitas interpretações radicais do islamismo já praticam há séculos: a ideia de que a mulher vale menos que o homem, de que o testemunho dela tem menos peso, de que o corpo dela está sempre sob controle de alguém – pai, marido, irmão, tutor.
A lei que autoriza bater em mulher
Um dos pontos mais revoltantes do novo código penal Afegão é o artigo que trata diretamente da violência doméstica. De acordo com trechos divulgados por veículos internacionais, como jornais latino-americanos, canais cristãos de notícias e perfis que acompanham o tema, o artigo 32 prevê que o marido que bate na esposa só será considerado criminoso se as agressões resultarem em fraturas ou ferimentos visíveis, como cortes profundos e hematomas marcantes.
Mesmo nesse caso, quando a mulher praticamente sai destruída do espancamento, a punição máxima prevista é de cerca de 15 dias de prisão. Duas semanas de privação de liberdade para um homem que quebrou ossos da própria esposa. Na prática, é menos do que muita gente cumpre de pena por furtar um supermercado no Brasil.
E ainda não acaba aí. Para que esse agressor seja punido, a vítima precisa provar tudo diante de um juiz, sob um conjunto de regras que foi desenhado justamente para sufocar qualquer tentativa de denúncia. Em muitos casos, exigem que a mulher compareça totalmente coberta e acompanhada de um tutor masculino – ironicamente, o próprio agressor pode ser esse “tutor”. Em outros, o acesso à Justiça é travado por exigência de testemunhas masculinas, o que num ambiente de medo e repressão é quase impossível de conseguir.
Esse detalhe processual é ainda mais perverso que o texto frio da lei. Não basta apanhar, sangrar e ter ossos quase quebrados. A mulher ainda precisa atravessar um sistema feito sob medida para desacreditá-la. A mensagem subliminar deixada pelo Talibã é simples: o lugar da mulher é calada, obedecendo, rezando e aceitando o que o homem fizer entre quatro paredes.
Tratando mulheres como seres inferiores
Organizações de direitos humanos, vozes críticas no Ocidente e até alguns setores moderados do mundo islâmico têm usado a expressão “apartheid de gênero” para descrever o que o Talibã está fazendo com as mulheres afegãs. O termo apartheid, que ficou famoso no contexto da segregação racial na África do Sul, significa um regime legal em que um grupo é colocado abaixo de outro em direitos, acesso e dignidade. No caso do Afeganistão, a divisão não é de raça, mas de sexo: homens acima, mulheres abaixo.
Essa desigualdade aparece em vários pontos. As mulheres são proibidas de estudar em muitos níveis de ensino, impedidas de trabalhar em várias áreas, obrigadas a seguir códigos de vestimenta rígidos e vigiadas pela “polícia da moralidade”. São perseguidas se aparecem em público sem a cobertura completa exigida, e qualquer tentativa de protesto ou reunião feminina é tratada como ameaça à ordem religiosa.
Em termos jurídicos, o valor do testemunho da mulher também é reduzido. Em países como o Irã, que seguem interpretações rígidas da sharia, é comum que o depoimento de uma mulher valha metade do de um homem em tribunais, o que torna ainda mais difícil provar crimes como estupro, violência doméstica ou assédio. Se no Irã a regra informal e legal é essa, no Afeganistão talibã o cenário fica ainda mais sombrio, pois os líderes não fazem a menor questão de esconder o seu desprezo pela autonomia feminina.
A lógica é sempre a mesma: a mulher não é um indivíduo pleno, é um “apêndice” da família masculina à qual pertence. Primeiro, pertence ao pai. Depois, ao marido. Se ele quiser interditar a liberdade dela, não precisa de muita justificativa. Se ela tentar fugir de uma situação de violência, é comum que seja tratada como criminosa por abandonar o lar, e não como vítima tentando salvar a própria vida.
A desculpa da “correção” para justificar a covardia
Os defensores mais radicais dessa visão costumam chamar o espancamento de “punição corretiva” ou “disciplina legítima” dentro da família. Alguns tribunais em países que aplicam a sharia já chegaram a decidir que o homem pode bater na mulher desde que não deixe marcas, como foi registrado em decisões dos Emirados Árabes Unidos e relatado por veículos internacionais. A lógica é perversa: se não deixa roxo, se não quebra osso, então não é violência, é correção.
Em textos usados para defender essa mentalidade, religiosos e juristas tentam minimizar o alcance das passagens que falam em “bater” na esposa, afirmando que se trata de algo “leve” ou “simbólico”. Porém, quando isso cai nas mãos de fanáticos e de estruturas como o Talibã, vira licença para espancar de verdade. O problema não é só o texto, mas quem o interpreta e como o Estado transforma essa interpretação em lei.
Com o novo código penal, o Talibã faz exatamente isso: pega a visão mais dura e misógina da religião, chama de “lei de Deus” e usa o aparato do Estado – policiais, juízes, prisões – para calar qualquer mulher que tente reagir. Quem manda agora não é a justiça, é o fanatismo armado.
Do Afeganistão a Brasília: quando o agressor é filho do presidente
Se no Afeganistão o problema é um Estado que assume, sem vergonha, que a mulher vale menos, no Brasil a situação é mais hipócrita. Aqui se fala em “defesa das mulheres”, em “combate à violência doméstica”, em “governo comprometido com os direitos humanos”. Discursos bonitos na TV, hashtags, campanhas emocionais. Mas, quando o acusado é alguém ligado ao poder, a regra muda.
Em 2024, o caso do filho mais novo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Luis Cláudio Lula da Silva, conhecido como Lulinha, expôs essa contradição. A ex-companheira, médica, registrou boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher, em São Paulo, relatando agressões físicas, psicológicas e morais, ocorridas ao longo da relação. Ela descreveu episódios de violência doméstica que, se tivessem sido praticados por um cidadão comum, provavelmente teriam gerado prisão em flagrante ou, no mínimo, uma reação bem mais dura do sistema.
Diante desse boletim, o Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu medida protetiva: determinou que Lulinha se afastasse do apartamento, não se aproximasse a menos de determinada distância da ex-mulher e evitasse frequentar os mesmos espaços, como trabalho e igreja. A medida, em tese, visa garantir a integridade física e psicológica da vítima, reconhecendo a situação de vulnerabilidade em que ela se encontrava.
Porém, apesar da gravidade das acusações, do histórico relatado e da necessidade de proteção judicial, o filho do presidente não foi preso, não foi exposto como criminoso pela grande mídia na mesma intensidade que figuras de oposição costumam ser e, com o tempo, o assunto foi sendo empurrado para debaixo do tapete. A defesa dele chamou a denúncia de fantasiosa, a militância governista fingiu que não viu, e o episódio sumiu do noticiário muito mais rápido do que as supostas “falas machistas” de adversários políticos.
Na prática, o recado para a população é bem claro: no Brasil, todos são iguais perante a lei, mas alguns são mais iguais que os outros. Se o agressor é filho do presidente, a máquina de proteção política e midiática entra em ação para transformar denúncia em “mal-entendido de casal”.
Quando a lei é forte no papel e fraca na prática
O contraste entre Afeganistão e Brasil ajuda a enxergar dois tipos diferentes de injustiça contra mulheres. No Afeganistão talibã, a injustiça é aberta, explícita, escrita com todas as letras: o homem pode bater na esposa, a punição é mínima, a palavra dela vale quase nada e o Estado fecha todas as portas para que ela consiga se defender. O problema está na própria lei, que legaliza a agressão e institucionaliza a inferioridade feminina.
No Brasil, o cenário é mais disfarçado. No papel, a legislação é cheia de dispositivos para proteger a mulher. Existem leis específicas, medidas protetivas, campanhas públicas, delegacias especializadas. Na teoria, a violência doméstica é crime grave, inafiançável em muitas situações, com possibilidade de prisão imediata. Mas, no mundo real, quem tem ligação com o poder quase sempre encontra um jeito de escapar da responsabilização séria.
O caso de Lulinha é apenas um entre tantos episódios que mostram como a força da lei varia conforme o sobrenome do agressor. Enquanto cidadãos comuns amargam prisões, processos intermináveis e exposição pública, os “filhos do rei” contam com advogados de alto nível, blindagem partidária e uma imprensa que sabe relativizar acusações quando o réu está politicamente do lado certo.
Já no Afeganistão, nem isso a mulher tem. Ela não conta com lei forte nem com opinião pública a seu favor. Não tem imprensa livre para denunciar, não tem tribunal independente para recorrer, não tem sequer o direito básico de andar na rua sem a permissão de um homem da família. A violência contra ela é dupla: apanha em casa e é abandonada pelo Estado.
Cultura, religião e covardia institucional
Tanto no Afeganistão quanto no Brasil, o problema de fundo é a covardia institucional diante da violência contra mulheres. No primeiro caso, o Estado assume o papel de agressor, se esconde atrás de interpretações religiosas e transforma o sofrimento feminino em “vontade divina”. No segundo, o Estado finge indignação, mas recua quando a problema ocorre entre seus aliados.
O islamismo, quando interpretado de forma radical por grupos como o Talibã, vira uma arma contra as mulheres. Usa passagens religiosas selecionadas a dedo, ignora qualquer princípio de dignidade humana e constrói um sistema em que a mulher já nasce devendo obediência a alguém. Essa visão faz com que a agressão não seja vista como crime, mas como “direito da autoridade masculina”.
Já no Brasil, a retórica “progressista” de defesa das mulheres serve muitas vezes como cortina de fumaça. Enquanto discursos inflamados são feitos em palanques e campanhas de governo, casos concretos de agressão praticados por aliados e familiares de poderosos são tratados com luvas de pelica. A mensagem é simples: a lei é para o povo, o privilégio é para a cúpula.
No fim das contas, tanto o bastão do marido afegão quanto a impunidade do filho do presidente brasileiro comunicam a mesma coisa para a mulher: você vale menos. No Afeganistão, isso é escrito em árabe jurídico e acompanhado de chicote. No Brasil, vem em forma de silêncio, esquecimento e processos que não andam. O resultado é o mesmo: quem apanha continua sendo sempre a parte mais fraca da história.

Se for da esquerda ,nem um problema ,se for da direita aí ai.,por essa e muitas outras tenho nojo desse pilantras