Por Redação Faca na Caveira
Enquanto o mundo se choca com a lista de políticos e estrelas de Hollywood envolvidos com Jeffrey Epstein, um capítulo dessa história obscura toca diretamente o nosso país. Os documentos recém-liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que os tentáculos da rede de Epstein se estendiam até o Brasil, envolvendo figuras da elite empresarial, modelos e até pilotos.
Ao contrário do que a grande mídia tenta suavizar, a presença de nomes brasileiros nos arquivos não é trivial. Embora constar nos documentos não seja prova automática de crime, indica, no mínimo, uma proximidade desconfortável com o círculo social de um predador sexual condenado. O site Faca na Caveira analisou os documentos e traz os detalhes de quem são esses personagens e qual o contexto de suas citações.
Mario Garnero: O Banqueiro e a Elite Global
Um dos nomes de maior peso a aparecer nas listas de contatos de Epstein é o do empresário Mario Garnero. Conhecido por ser o “pai do etanol” e fundador do grupo Brasilinvest, Garnero é uma figura histórica da elite empresarial brasileira, com conexões profundas em Washington e Nova York.
Seu nome, junto com o de seu filho, Mario Garnero Jr., aparece nos diretórios de contatos de Epstein. Isso não surpreende quem conhece o modus operandi do financista: Epstein colecionava “troféus” sociais, buscando se associar a homens poderosos para legitimar seus negócios e encobrir suas atividades ilícitas. A presença dos Garnero nos arquivos sugere que Epstein via no Brasil um terreno fértil para expandir sua influência e, possivelmente, suas operações financeiras obscuras.
Ricardo Koehler – O Piloto Brasileiro do “Lolita Express”
Talvez o elo mais direto e operacional entre o Brasil e Epstein seja o piloto Ricardo Koehler. Identificado nos registros de voo apenas como “Ricardo” em muitas ocasiões, sua identidade foi confirmada como um dos profissionais que comandavam as aeronaves de Epstein, incluindo o infame Boeing 727 apelidado de “Lolita Express”.
Koehler não era um passageiro; ele era funcionário. Isso o coloca em uma posição única de testemunha ocular. Como piloto, ele transportou Epstein, Ghislaine Maxwell e inúmeras vítimas para a ilha Little St. James e outros destinos. Seu nome aparece associado a voos que transportaram figuras como o Príncipe Andrew e Bill Clinton. O fato de um brasileiro ter pilotado a aeronave mais notória do tráfico sexual mundial é um detalhe que merece investigação profunda sobre o quanto ele viu e o que ele sabe.
Adriana Ross – A Modelo que Virou Cúmplice
Entre as figuras brasileiras, o caso de Adriana Ross é o mais grave juridicamente. Ex-modelo, Adriana não foi apenas uma visitante; ela foi citada em documentos judiciais como uma possível cúmplice nas operações de Epstein. Em acordos de imunidade negociados em 2008, o nome de Adriana Ross aparece ao lado de outras funcionárias de Epstein que foram protegidas de processos criminais em troca de cooperação ou silêncio.
Adriana teria atuado como assistente pessoal, ajudando na logística da vida de Epstein. A acusação implícita é que ela, assim como outras mulheres no círculo de Ghislaine Maxwell, facilitava o acesso às vítimas ou ajudava a manter a fachada de normalidade da casa. Sua transição de modelo brasileira para peça-chave na engrenagem de um criminoso sexual internacional é um alerta sobre como o glamour pode esconder a podridão moral.
Gisele Bündchen – O Nome Citado e a Negativa
A supermodelo Gisele Bündchen também é mencionada nos arquivos, mas em um contexto diferente. Seu nome aparece em listas de contatos e em rumores sobre festas, mas não há evidências de que ela tenha visitado a ilha ou participado dos crimes. Gisele negou veementemente qualquer associação com Epstein, afirmando que seu nome foi usado indevidamente ou associado por conta de terceiros (como seu ex-marido Tom Brady e amigos em comum).
No caso dela, parece tratar-se do velho truque de Epstein de fazer “name-dropping” (citar nomes famosos) para impressionar suas vítimas e parceiros de negócios, fingindo uma intimidade que não existia para ganhar credibilidade.
A Menina Brasileira – “Vítima Menor 1”
O aspecto mais triste e revoltante da conexão brasileira é a revelação de que houve vítimas nacionais. Documentos e depoimentos fazem referência a uma jovem brasileira, identificada em processos como “Minor Victim 1” (Vítima Menor 1) ou Marina Lacerda (nome revelado em testemunhos públicos recentes).
Segundo os relatos, ela teria sido abusada por Epstein nos Estados Unidos após emigrar com a família. Esse fato desmonta a ideia de que o Brasil era apenas um local de turismo ou negócios para Epstein; era também uma fonte de vítimas. A exploração de uma menina brasileira por um bilionário americano, em solo estrangeiro, é a prova final de que a rede de Epstein não respeitava fronteiras.
Outras Menções: O Arquiteto e a Socialite
Os arquivos trazem ainda menções a Arthur Casas, renomado arquiteto brasileiro, que teria sido contatado para projetos de reforma na ilha de Epstein. Embora prestar serviços de arquitetura não seja crime, a escolha de um profissional brasileiro para trabalhar no “santuário” de Epstein mostra o nível de conexão que ele mantinha com o país.
Também aparece o nome de Cecília Szajman, socialite brasileira, listada nos cadernos de endereços. Assim como no caso dos Garnero, isso reflete a penetração de Epstein na alta sociedade paulistana e carioca.
E tem ainda a modelo e apresentadora Luciana Gimenez, cujo caso é mais complexo e será tratado em uma matéria exclusiva.
Conclusão
A lista de brasileiros nos arquivos Epstein serve como um espelho incômodo. Mostra que a nossa elite não estava imune ao charme venenoso do financista. Seja por negócios (Garnero), trabalho (Koehler), cumplicidade (Adriana Ross) ou vitimização (Marina), o Brasil foi parte integrante dessa trama global. O Faca na Caveira continuará a expor essas conexões, lembrando que a justiça não deve ter passaporte nem classe social.
